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Castelo de Paiva

Quarta
07 Janeiro
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Pilar que caiu era o menos afectado Imprimir
Escrito por PD   
Quarta, 14 Junho 2006
ImageO cientista Bordalo e Sá disse hoje no tribunal de Castelo de Paiva que o pilar da ponte de Entre-os-Rios que ruiu em 04 de Março de 2001 (o P4) era o menos afectado pelas correntes no Douro, noticia a agência Lusa. De acordo com o biólogo marítimo e professor da Universidade do Porto, a corrente naquela curva do rio incidia mais sobre os pilares P2 e P3, que resistiram de pé e em nada influenciaram o colapso do tabuleiro.

A testemunha, arrolada pelo Ministério Público (MP), acrescentou que a pressão exercida sobre o P4 pela água do Tâmega - afluente do Douro que desagua imediatamente a montante da ponte -, «era extremamente reduzida», uma vez que os caudais «eram empurrados para a outra margem», acrescentou.

A afirmação contraria a tese defendida no mesmo tribunal, a 25 de Maio, pelo perito da Universidade de Coimbra Antunes do Carmo, segundo a qual o pilar P4 tinha sido o principal afectado pelas correntes do Tâmega e particularmente pelas descargas da barragem do Torrão.

Bordalo e Sá foi chamado a depor no processo relativo à responsabilização criminal pelo desastre de Entre-os-Rios porque estudou o impacto no Douro da central de ciclo combinado da Tapada do Outeiro e, no âmbito desse trabalho, instalou uma estação de amostragem muito próxima do pilar que ruiu.

Quando confrontado com fotos sobre extracções de areia a apenas 250 metros da ponte, o biólogo marítimo disse que os fundões provocados por essa actividade tanto poderiam ser corrigidos pelas correntes como se poderiam acentuar, provocando vórtices (remoinhos).

Revelou depois que a sua equipa de investigação sentiu os efeitos de um desses vórtices na zona da ponte, quando seguia a bordo de uma embarcação.

«Um efeito não muito agradável», recordou.

Noutro ponto do seu depoimento em tribunal, o biólogo disse que o Instituto de Navegabilidade do Douro nunca lhe forneceu dados pedidos sobre extracção de areias no rio.

«Presumo que estaria no seu direito», desculpou.

Perante o colectivo presidido por Teresa Silva, o especialista revelou-se céptico quanto ao recurso a fórmulas matemáticas para calcular a erosão localizada, que fora defendido em anterior sessão pelo perito de hidráulica Soromenho Rocha, do Laboratório Nacional de Engenharia Civil.

«Um modelo matemático precisa de dados físicos robustos», advertiu.

Mais peremptório foi o catedrático de Hidráulica Agostinho Alves Ribeiro, outro especialista ouvido hoje em tribunal, para quem essas fórmulas «servem para pouco».

«Foram idealizadas para casos especiais», pelo que «é uma asneira» usá-las como regra, acrescentou Alves Ribeiro, 79 anos, que durante 44 anos foi docente da Faculdade de Engenharia do Porto.

Neste julgamento iniciado a 19 de Abril, o Tribunal de Castelo de Paiva avalia a alegada responsabilidade criminal de quatro engenheiros da ex-Junta Autónoma das Estradas (JAE) e dois da empresa projectista Eteclda na queda da ponte de Entre-os-Rios.

A ponte de Entre-os-Rios ligava Eja (Penafiel) a Sardoura (Castelo de Paiva) e ruiu a 04 de Março de 2001 devido à cedência do pilar P4, após cinco grandes cheias no Douro, num acidente que matou 59 ocupantes de um autocarro e de três automóveis.

O julgamento prossegue segunda-feira.
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