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Testemunha pede dispensa de pormenores | Testemunha pede dispensa de pormenores |
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| Escrito por Diário Digital | |
| Segunda, 05 Junho 2006 | |
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O sobrinho do ex-marido desta testemunha foi uma das 59 vítimas mortais do acidente ocorrido a 4 de Março de 2001, que ficou a dever-se, segundo perícias técnicas, à cedência do pilar P4, após cinco grandes cheias no Douro. Ana Maria contou apenas que presenciou a queda do autocarro e dos três automóveis ao Douro, já que se encontrava no momento a olhar para a ponte, depois de colocar roupa a secar num estendal da sua residência, na margem sul do Douro, em Sardoura, Castelo de Paiva. «De repente senti o chão a tremer e vi o autocarro cair a pique e um barulho ensurdecer», contou, a perguntas do Ministério Público. Em simultâneo caíram dois automóveis ligeiros, que, tal como o autocarro, seguiam no sentido Entre-os-Rios/Castelo de Paiva e, segundos depois, um terceiro automóvel, explicou. Outra testemunha chamada a depor nesta sessão foi o antigo inspector de bombeiros Salazar Galhardo, que viria a escrever um livro sobre a tragédia, em que critica a alegada descoordenação entre bombeiros e Protecção Civil nas operações de socorro que se seguiram à tragédia. Salazar Galhardo recordou que a circunstância de a ponte ser estreita, não permitindo o cruzamento de um autocarro com um ligeiro, acabou por lhe salvar a vida. No momento em que se deu o colapso da ponte, o ex-inspector encontrava-se ao volante de um jeep, na margem de Castelo de Paiva, aguardando que o autocarro, que circulava em sentido contrário, atravessasse a ponte. «De repente, ouvi um estrondo e uma gritaria lancinante e o autocarro desapareceu subitamente da minha vista. Tudo isto em escassos segundos», disse, numa alusão ao momento em que o tabuleiro da ponte cedeu. Salazar Galhardo contou ao tribunal que o seu filho seguia noutra viatura, à sua frente. «Na altura nem me dei conta de que ele poderia ser uma das vítimas. Naquele momento só pensei em activar o socorro«, disse o ex-inspector de bombeiros. O julgamento prossegue quarta e quinta-feira, com a audição de mais testemunhas e de técnicos envolvidos nas filmagens subaquáticas de 1986 e na inspecção de 1988 aos pilares da ponte que viria a ruir. Num julgamento iniciado a 19 de Abril, e que teve hoje a sua sessão mais curta, o Tribunal de Castelo de Paiva avalia a alegada responsabilidade criminal de seis técnicos pela queda da ponte de Entre-os-Rios. Os arguidos neste processo são quatro engenheiros do Serviço de Pontes da ex-Junta Autónoma de Estradas (JAE) e dois da empresa projectista Eteclda, que o Ministério Público (MP) acusa de terem violado, em diferentes graus, as regras técnicas a observar no planeamento de modificação de construção. Segundo a acusação, os seis técnicos negligenciaram as suas funções, «não adoptando as condutas necessárias para impedirem a criação de perigo para a segurança e a vida de qualquer pessoa que circulasse na ponte». Diário Digital / Lusa Set as favorite Bookmark Email This Hits: 420 Comentarios (0)
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