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Castelo de Paiva

Quarta
07 Janeiro
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Reforço do pilar evitaria queda Imprimir
Escrito por Rui Gato   
Quinta, 25 Maio 2006
PonteA equipa que fez a segunda perícia às causas da queda da ponte de Entre-os-Rios defendeu hoje, no Tribunal de Castelo de Paiva, que o enrocamento (envolvimento em pedra) do pilar P4 evitaria o colapso da estrutura. «Com o enrocamento [envolvimento em pedras], a segurança do pilar P4 era recuperada», ficando assim com o mesmo tipo de protecção dos pilares 2 e 3, disse Soromenho Rocha, investigador-coordenador do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) Soromenho Rocha assinou o segundo relatório pericial sobre as causas do colapso da ponte, juntamente com os professores da Universidade de Coimbra Luís Leal Lemos, Vítor Dias da Silva, Carlos Rebelo e José Antunes do Carmo.

O enrocamento «evitava que desaparecessem os oito metros de areia que existiam em volta do pilar em 1988», acrescentou Soromenho Rocha, em resposta a um pedido de esclarecimento do Ministério Público.

Outras hipóteses para evitar o colapso seriam, segundo o especialista do LNEC, o reforço da fundação do pilar P4, estendendo-a até ao fundo rochoso ou, «como alternativa radical», o fecho da ponte e a construção de uma nova.

A ponte de Entre-os-Rios, que ligava Eja (Penafiel) a Sardoura (Castelo de Paiva) ruiu a 04 de Março de 2001 devido à cedência do pilar P4, após cinco grandes cheias no Douro, num acidente que matou 59 ocupantes de um autocarro e de três automóveis.

Num relatório pericial concluído em 2004, o investigador do LNEC e os quatro catedráticos de Coimbra associaram o colapso da ponte a uma erosão localizada em parte devido à extracção de areias no Douro.

Outro perito deste grupo, o catedrático José Antunes do Carmo, defendeu hoje em tribunal que os indicadores técnicos disponíveis antes da queda da ponte de Entre-os-Rios impunham uma análise aprofundada do estado do pilar que viria a ruir.

Perante o colectivo dirigido pela magistrada Teresa Silva, José Antunes do Carmo, da Faculdade de Engenharia de Coimbra, cruzou dados dos relatórios relativos à filmagem subaquática de 1986 e à inspecção de 1988 com os levantamentos hidrográficos realizados desde 1913 no Rio Douro, tendo concluído que havia razões de alarme.

«Os pilares 2 e 3 estavam protegidos [com pedra em volta] e o 4 não. Isto é muito relevante», assinalou.

Para Antunes do Carmo, uma segunda fonte de «preocupação» seria o facto de a corrente do rio Tâmega - afluente do Douro que desagua imediatamente a montante da ponte - ter incidido directamente no pilar que ruiu, o P4.

No leito do Tâmega está construída a barragem do Torrão, que realizou várias descargas antes do colapso da ponte de Entre-os-Rios.

Antunes do Carmo, co-autor do segundo relatório pericial sobre as causas da queda da ponte, recordou ainda que em 1988 havia oito metros de areia em volta do pilar P4, o que considerou pouco e que, na sua perspectiva, reforçaria a necessidade de uma averiguação.

«Para mim é pouco. Eu iria analisar por que chegou àquele ponto», disse, acrescentando: «Se tivesse esse problema pela frente, perguntaria a um especialista em hidráulica».

Leitura divergente seria feita, mais tarde, pelo perito da Faculdade de Engenharia do Porto Raimundo Delgado, co-autor do primeiro relatório pericial.

«Mesmo que ficasse sem nenhuma areia na base do pilar, ainda assim havia uma equivalência entre a resistência e a carga aplicada», disse o perito do Porto, acrescentando que só havia risco de ruptura do pilar P4 «com a retirada de alguma areia debaixo do pilar».

Num reparo às posições expressas pelos colegas de Coimbra, Raimundo Delgado escusou-se a alimentar «conjunturas», preferindo os factos.

«Para mim o que os colegas de Coimbra estão a tentar fazer é encontrar uma duna para justificar a erosão localizada [que no seu relatório consideram causa de queda do pilar]», acrescentou.
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