Opinião
Carlos Oliveira
Uma viagem pelo Alto Alentejo e uma visita à terra "portuguesa" de Olivença | Uma viagem pelo Alto Alentejo e uma visita à terra "portuguesa" de Olivença |
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| Escrito por Carlos Oliveira | ||||||||||||||||
| Segunda, 07 Maio 2007 | ||||||||||||||||
Depois de Fátima, encurtámos caminho a partir da A6 e pela EN 118 até Abrantes, não sem antes termos apreciado a beleza arquitectónica do Castelo de Almourol, uma das sete maravilhas de Portugal, e a castiça vila de Constância, em pleno vale do Tejo, e seguimos caminho até Ponte de Sôr, uma das portas de entrada para o Alentejo, a mais vasta e menos povoada das regiões portuguesas, ocupando cerca de um terço do território nacional. Interessava-nos o Norte do Alentejo, uma província com apenas 135 mil habitantes, repartidos por 15 concelhos, onde Portalegre se apresenta como sede de um vasto distrito marcado pela extensa frente raiana e com fortes ligações á Extremadura espanhola. Pelo IC 13, chegamos a Ponte de Sôr, desenvolvida vila situada na margem do rio que lhe deu o nome, juntamente com a ponte romana que integrava o percurso da 3ª via militar que ligava Lisboa a Mérida. Região de transição entre a planície ribatejana e os montados alentejanos, esta zona foi marcada pela instabilidade de fronteiras durante a reconquista, sendo uma terra de templários e mais tarde reconquistada pela Ordem de S. Bento. Na ocasião, evitamos o piso degradado da EN 244 que atravessa a vila de Galveias e seguimos para Alter do Chão, terra de rico património histórico, berço da Coudelaria Real, fundada por D. João V, considerada ainda hoje como expoente máximo da expansão da raça lusitana. O castelo, construído no séc. XVI, e a Igreja do Convento de Santo António, que remonta ao séc. XVII, são alguns atractivos patrimoniais deste concelho, cujo desenvolvimento está ligado ao turismo, à coudelaria real, às coutadas, à caça e à falcoaria. Depois de uma breve paragem num café da vila, a viagem prossegue pelas rectas da bem conservada EN 245, que nos leva até Fronteira, vila pacata que se destaca pelo conhecido “ Terródromo “, que todos os anos acolhe importantes competições de Todo-o-Terreno, e pela imponente Igreja Paroquial, bem no centro da urbe, dedicada a Nª Sr.ª da Atalaia, mandada edificar por D. Sebastião, em 1571. Aqui ouvimos falar do espírito medieval e das suas lendas, onde a história da Moura Encantada ou o sucesso da Batalha dos Atoleiros são exemplos que perduram de geração em geração. À hora do almoço chegamos a Sousel, típica vila alentejana, de solares e igrejas barrocas, conhecida como a Capital da Caça, onde no cimo de uma colina, dominada pelas extensas planícies de oliveiras, se ergue a Pousada de S. Miguel, um dos baluartes do turismo cinegético. O João Balesteiros já nos esperava e, por entre coutadas outrora pertencentes à Casa de Bragança, dali partimos para o Cano, hoje vila e a freguesia mais importante deste concelho do Alto Alentejo. Por estas terras andou o Condestável angariando homens para defender a pátria na Batalha dos Atoleiros, a poucos quilómetros da vila, protagonizando uma valente derrota nas hostes castelhanas. Esta é uma terra farta e aconchegante, onde ficamos alojados numa simpática casa do amigo Emílio Sabido, agora Chefe de Finanças em Setúbal e que se destacou em recente mandato como presidente do município souselense, onde realizou um trabalho notável, ainda hoje por todos recordado. Depois do almoço, bem regado com vinhos de qualidade ímpar, daquela região do Alto Alentejo, partimos para Elvas, cidade desde o séc. XVI, praça – forte ainda envolta na sua muralha, atravessada pelo Rio Caia que confluiu nesta zona com o Guadiana, que a separa da vizinha Badajoz. Para além das muralhas, obra-prima da engenharia militar portuguesa do séc. XVII, o Forte da Sr.ª da Graça, o Castelo, o Largo da Santa Clara, a Sé, a Praça da República e o Aqueduto da Amoreira que se estende por 7,5 km a sudoeste da cidade, são alguns monumentos a não perder numa visita a esta cidade fronteiriça, circundada de férteis campos e pastagens, e onde a gastronomia é requintada e apetitosa. Conforme o previsto, chagamos a Olivença ( Olivenza para os espanhóis ) antes de anoitecer, não sem antes termos parado na nova travessia sobre o Rio Guadiana, para fotografar as ruínas da antiga Ponte da Ajuda, construída em 1510 pelo rei D. Manuel, que servia de ligação entre a antiga vila portuguesa, localizada a 10 km a noroeste, e o território nacional, através de Elvas. A ponte, com 19 arcos apoiados em grandes pilares, chegou a ter uma torre de vigilância onde existiu uma guarnição militar, mas foi sujeita a diversos conflitos durante a Guerra da Restauração que pôs fim à soberania espanhola sobre Portugal no reinado de Filipe II. Na Guerra da Sucessão, em 1709, voltou a ponte a ser destruída, perdendo para sempre os arcos centrais. Cidade ocupada e roubada pela Espanha, que nunca honrou o compromisso assumido com Portugal, Olivença foi uma importante praça – forte da coroa portuguesa, apresentando ainda hoje um legado arquitectónico que prova bem a envolvência lusitana neste território de 750 Km2, cerca de 125 vezes maior do que Gibraltar, um território também envolto em polémica que a Espanha reivindica junto da Inglaterra. D. Dinis mandou erguer o castelo no séc. XVI e reconstruiu as muralhas primitivas, com torres angulares e quatro portas fortificadas, irónicamente para se defender dos espanhóis, mas também o Palácio dos Duques do Cadaval, utilizado como edifício municipal, a Igreja de Santa Madalena com o seu estilo manuelino e o Convento de S. Francisco são atractivos que justificam uma passagem por esta terra bem portuguesa, propositadamente colonizada pelos espanhóis para evidenciar mais a sua pertença. Na Praça de Espanha é onde se concentra toda a animação e onde novos e velhos se encontram nas esplanadas existentes, apesar do tempo frio da época não favorecer as conversas ao ar livre. Por aqui não faltam bares, para se meter “ dois dedos de conversa “ ou beber uma cerveja mini e comer um pires de tapas por 1 Euro, ficando a saber que tudo fecha até às cinco da tarde. È que estamos em Espanha e a hora da sesta ainda por aqui continua sagrada... Foi bonito constatar alguns vestígios da antiga cidade medieval iniciada no tempo de D. Dinis e edificada sobre os restos de uma fortaleza templária. A cidade não é grande, tem pouco mais de 8 mil habitantes e sete paróquias ( freguesias ) e para além da torre de menagem do castelo, que sobressai ao longe, as casas são quase todas brancas e denotam influências andaluzas no traço, o que prova que o sul não está longe. Finda a visita, retomamos o debate sobre esta questão, que havemos de voltar a trazer a estas páginas, na medida em que o problema de Olivença ainda continua a existir, uma vez que o Estado Português, através do MNE, nunca reconheceu a soberania espanhola sobre este território que a Espanha, através do Tratado de Viena em 1815, se comprometeu a devolver a Portugal. Por outro lado, ficamos a saber, que os marcos fronteiriços entre Portugal e Espanha, naquela zona do Guadiana, ainda estão por colocar junto a Olivença e que esta questão, que deveria ser resolvida a nível da diplomacia, no decurso das Cimeiras de Estado entre os dois países vizinhos, ainda continua pendente na Comissão Internacional de Limites. E se consideramos que, tal como a Espanha reclama Gibraltar aos ingleses, os marroquinos reclamam de Espanha as cidades de Ceuta e Mellila no norte de África, também Olivença deve retomar à “pátria mãe “, sendo que o nosso silêncio significará a nossa cumplicidade com um roubo intolerável e a nossa aquiescência à forma insultuosa como fomos tratados por Espanha neste particular. Terminamos o dia num bar bem animado e repleto de “ chicas guapas “ em Badajoz, cidade de encanto e de grande pujança comercial e industrial, que explora bem toda a beleza da passagem do Guadiana. A Porta das Palmas é o monumento mais representativo desta cidade fronteiriça, muito procurada pelos portugueses para as compras e para o lazer, não sendo de estranhar a atractividade da economia espanhola, com um custo de vida mais acessível e menos impostos para pagar. O amigo Emílio Sabido foi o nosso cicerone pelas ruas da cidade e para além da grandiosidade dos centros comerciais que visitamos, onde as coisas se vendiam por metade do preço que apresentam em Portugal, gostei de ver a La Giralda, um edifício emblemático que hoje acolhe um empresa telefónica, e as diversas pontes que cruzam o Guadiana, bem iluminadas e conservadas, sendo de destacar a Ponte Real, inaugurada em 1994, e a Ponte da Autonomia, aberta ao tráfego em 1990 e que serve a ligação Madrid – Lisboa, através da N-V . Além de visitarmos as cidades de Estremoz e de Vila Viçosa, já pertencentes ao distrito de Évora, marcadas pela sua beleza e monumentalidade, tivemos a oportunidade de conhecer o perímetro industrial do mármore e algumas das suas profundas crateras, onde homens e máquinas extraem o ouro branco, que há-de embelezar mesquitas e palácios por esse mundo fora. Aqui conhecemos alguns vinhos tintos de sabor inigualável, autênticas jóias da coroa de herdades reconhecidas pela sua dedicação à produção vitícola, mas também não deixamos de apreciar alguns queijos e um saboroso azeite que se produz na freguesia de Santo Amaro, em Sousel, terra natal do nosso amigo João, que tem que matar o porco às escondidas em virtude das ridículas investidas dos fiscais da pecuária. Antes de regressarmos a casa, o Emílio levou-nos a visitar a vila de Avis, onde já tinha estado em 2001 com o saudoso amigo Afonso da Gráfica a assistir a um concerto dos Delfins, numa ocasião em que o vinho de Borba que nos foi oferecido já tinha começado a fazer efeito. No Convento de São Bento instalou-se a cabeça da Ordem de Avis desde o Século XII, liderada por D. João I, e que deu origem a uma das mais brilhantes dinastias portuguesas. Vários são os vestígios que atestam o esplendor de outrora, e Avis foi buscar grande parte da sua fama a esta segunda dinastia, que conduziu Portugal ao auge da glória e da riqueza, na sequência da revolução de 1383. Construídos na primeira metade do século XIII, o castelo e a cerca urbana, situados no topo de uma colina, no Largo do Convento, permitem uma visão panorâmica espectacular, com a entrada por uma rua íngreme repleta de laranjeiras, que atesta bem o civismo desta gente, tal o brio e a limpeza que se nota por todo o lado. Conhecemos uma ponte linda, réplica da Ponte 25 de Abril, em Lisboa, e uma zona de lazer com parque de campismo junto à Barragem do Maranhão, um lago artificial de especial beleza, ideal para a prática da pesca desportiva e palco de desportos náuticos, assim como percorremos uma herdade, propriedade de estrangeiros, localizada no território de Sousel, que apresenta uma área superior a alguns concelhos do norte de Portugal. Na memória da visita, ficou a promessa de voltar em breve ao Alto Alentejo, quanto mais não seja para percorrer outros percursos, conhecer novos sítios, voltar ao convívio dos amigos e consolidar aquelas amizades que nos ajudam a suportar as amarguras do quotidiano. Até porque a vida continua difícil. Set as favorite Bookmark Email This Hits: 2319 Comentarios (4)
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filipa cunha
said:
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pelo k ouço e pelo k vi, o alentejo continua a ser o melhor sitio de portugal. apesar de ser seco no verao isso nao empede de irem la visitar por portugal vao a alto alentejo report abuse
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so o alentejo e k e bonito por isso eu adoro alentejo report abuse
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tb gostas do alentejo linda?????? pois agora ja que gostas deizemos vivaaaaaaaaaaaaaaaaaaa o alentejo lool k seka mas e muito bonito xd alentejo report abuse
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sou brasileiro entrei no titulo a procura de equinos ai ,me deparei com está maravilha que é o alentejo, sou de recife sou feliz graças a Deus fui batizado em fátima gosto de fazer amigos um forte abraço a quem receber report abuse
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