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483 euros por hectare é o valor económico estimado da floresta cultivada na região do Vale do Sousa, superior à média nacional, de acordo com um estudo divulgado no Porto, no âmbito do projecto europeu FORSEE, que visa a exploração sustentável das florestas e bosques europeus. No entanto, avisa o estudo, é preciso criar mais incentivos para que os produtores locais possam tirar partido deste potencial.
O estudo, da autoria de Américo Mendes e Diana Feliciano, da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Católica do Porto, pretende ser um contributo para a estimativa da importância sócio- económica da floresta na região do Vale do Sousa, tendo em conta a crescente necessidade de certificação dos produtos florestais.
A região do Vale do Sousa, que abrange os concelhos de Paredes, Penafiel, Castelo de Paiva, Lousada, Felgueiras e Paços de Ferreira, estende-se por uma área com 77,7 mil hectares, dos quais 45 por cento são florestados. As espécies florestais predominantes são o eucalipto (55 por cento), e o pinheiro (21 por cento).
O estudo estima que o valor económico da floresta na região do Vale do Sousa, apenas no que se refere à produção de madeira de eucalipto e pinheiro, ascende a quase sete milhões de euros anuais. A contabilização do valor económico da floresta tem ainda em conta outros factores, como a produção de mel, estimada em 72 mil euros, e a caça, cujos rendimentos poderão atingir os quatro milhões de euros anuais.
Foi ainda considerado o potencial económico das zonas de recreio, que poderá chegar aos 120 mil euros anuais gerados pela existência de oito locais muito visitados e mais 14 locais moderadamente visitados.
A estes dados é ainda necessário adicionar cerca de 30 mil euros anuais, que é o valor previsto para a produção agrícola em zonas florestais, o que permite chegar à estimativa de 483 euros como valor por hectare florestado no Vale do Sousa.
O projecto FORSEE envolve a Irlanda, França, Espanha e Portugal, países a partir dos quais foi criada uma rede de zonas piloto para avaliação de critérios e indicadores de sustentabilidade florestal. Em Portugal foram seleccionadas as regiões do Pinhal Interior Norte e do Vale do Sousa.
O estudo do Vale do Sousa pretende avaliar as funções socio-económicas da floresta, enquanto no Pinhal Interior Norte está a ser estudado o potencial de armazenamento de carbono, nas suas componentes aérea e subterrânea.

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