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Castelo de Paiva

Quinta
04 Dezembro
Início arrow Opinião arrow Carlos Oliveira arrow A inconfundível beleza da Serra da Estrela e a história de um fartote no "Albertino"
A inconfundível beleza da Serra da Estrela e a história de um fartote no "Albertino" Imprimir
Escrito por Carlos Oliveira   
Terça, 17 Abril 2007
Carlos OliveiraAproveitando o tempo primaveril que este Inverno nos ofereceu, resolvi dedicar o Dia de Entrudo a um passeio com a família e realizar uma incursão pela zona serrana das Beiras, com particular destaque para a zona do Parque Natural da Serra da Estrela.
Um aspecto bomito da paisagem da Serra da Estrela
Paisagem da Serra da Estrela
Aldeia de Folgosinho
Aldeia de Folgosinho
Aspecto da cidade de Gouveia
Aspecto da cidade de Gouveia
Gouveia
Gouveia
O Albertino em Folgosinho
O Albertino em Folgosinho
Restaurante O Albertino
Restaurante O Albertino
Aspecto do Santuário da Lapa
Aspecto do Santuário da Lapa
Santuário da Lapa em Sernancelhe
Santuário da Lapa em Sernancelhe

Sabe sempre bem desfrutar alguns momentos de convivência familiar em pleno contacto com a natureza, descobrir coisas novas e partilhar a alegria das coisas boas da vida.

O clima de montanha, de pureza e bem-estar que se encontra na serra não tem preço, mesmo ficando com a desilusão de quase não encontrar neve em pleno mês de Fevereiro.

Depois de, no Domingo anterior, ter percorrido parte da vertente do Montemuro e ter saboreado as deliciosas “pizzas do Restaurante Recanto dos Carvalhos, na aldeia da Gralheira, a viagem começou bem cedo, com subida pela imensidão serrana através da EN 326, seguimos por Castro Daire e entramos na nova A24 que, em menos de meia hora, no coloca à entrada da cidade de Viseu.

Com umas anedotas mais ou menos picantes no “ stereo “ do auto-rádio iniciamos o périplo serrano com uma visita a Fornos de Algodres, vila situada junto ao IP5 e à Linha-Férrea da Beira Alta, numa encosta virada ao vasto horizonte por onde passa o idílico vale do Mondego e que avança até ás alturas da serrania.

Autêntica vila serrana, de fundação antiquíssima, verdadeira porta – aberta ao fascínio e aos segredos da arqueologia, por todo o lado se observam imponentes penedos de granito, antas e dolmens arredondados ao vento e aos séculos, a testemunhar que alguns serviram de abrigo e refúgio a civilizações castrejas que por ali andaram há mais de cinco mil anos.

Tudo aqui é assente em granito, numa paisagem sempre verde e cheia de sabores, com a evidência da gastronomia tradicional, o queijo da serra e o vinho do Dão a integrar a oferta.

                        Fornos de Algodres sempre foi um importante ponto de passagem e ainda hoje se pode ver, junto à Capela de Nª Sr.ª da Graça, uma calçada romana que ligava Viseu a Mérida, passando pela Guarda e Idanha – a – Velha, mas também merecem particular atenção a Igreja da Misericórdia, o Pelourinho da vila e o casario antigo em granito onde se destaca a Casa da Câmara, obra municipal do século XVIII.

                        Passando ao lado de Ribamondego, a viagem prosseguiu até Gouveia, cidade velha, fundada no ano de 580 a. c. pelos Túrdulos, uma forte tribo lusitana do norte do Tejo.

                        No cenário natural da Serra da Estrela e da paisagem beirã, esta é uma terra tranquila, de ruas antigas, jardins esculpidos e bem tratados, e a sua localização ímpar e manancial de recursos sempre atraiu muitos povos, uma realidade que se pode comprovar por dezenas de vestígios arqueológicos espalhados pelo território municipal.

Para além da Praça de S. Pedro com a sua Igreja Matriz e um edifício setecentista que alberga a Biblioteca Municipal, gostei de ver as obras de restauro realizadas no Colégio dos Jesuítas onde estão instalados a Câmara Municipal e o Museu de Arte Sacra, sem esquecer o Jardim Lopes da Costa que fez as delícias da família, em especial da minha esposa, que sempre foi fanática por plantas.

                        Com a barriga a dar horas, deixamos a “ Princesa da Serra “, verdadeiro paraíso para os amantes da caça e da pesca e seguimos viagem por Nabais até à vila de Folgosinho, caracterizada pela sua tipicidade regional e formas de vida comunitária.

            Abdicamos da visita à “ cabeça do velho “ e ao  Mondeguinho porque o que interessava no momento era participar no “ bodo dos pobres “, e serra acima só se viam forasteiros e excursões à procura do Folgosinho e do Restaurante “ O Albertino “, a verdadeira “ catedral “ gastronómica da Serra da Estrela.

                        A minha irmã, fora do bulício de um quotidiano agitado, era a mais entusiasmada, mas a filhota, neste dia disfarçada de enfermeira, chegava para a pôr em polvorosa, e só se calou quando todos “ alapamos o rabo “ numa das salas do restaurante, depois de ter sido confirmada a marcação prévia.

                        Fomos recebidos por um rapaz novo e bem expedito, que nos fez as honras da casa e começou por trazer, a título de entradas, morcela assada, chouriço da região e queijo amanteigado da serra, para acompanhar com um pão saboroso da terra e um vinho do Dão directo do lavrador que aquecia depressa as orelhas.

                        Como é tradição da casa, começamos com uma cabidela de coelho que estava um espectáculo, e de seguida atacámos uma vitela estufada e não deixamos de apreciar o javali com feijão, um prato muito procurado nesta região.

                        A barriga já dilatava e o repasto ainda ia a meio, mas o amigo Miguel não deixava ninguém ás escuras, trazendo para a mesa o cabrito assado com batatinhas e logo a seguir o último prato da ementa, o leitão assado á Albertino.                   A minha mãe estava admirada com os estrangeiros da mesa do lado e defendeu a tese do “ enfarta burros “ para classificar este espaço hoteleiro que ganhou fama de norte a sul e cuja génese remonta ao tempo da engenharia militar rasgando acessos pela serra e da própria visita do General Ramalho Eanes, ao tempo Presidente da República, em maré de inaugurações.

                        Mas a “ comezaina “ ainda não estava concluída e faltava as sobremesas, e a família “ atirou-se “ com unhas e dentes ao arroz doce, ao leite-creme, à marmelada e ao requeijão, seguindo-se depois o café ao balcão e o bagacito da praxe, aqui abundantemente servido em jarras.

                        Já não ia ao Albertino há mais de três anos, mas voltei satisfeito, porque não perderam o gosto e a simpatia de receber bem a clientela, procurando sempre que todos fiquem satisfeitos. E que é isso de 10 Euros por pessoa nos dias de hoje, se por cá está tudo pela “ hora da morte “...

                        E se o leitor não conhece este restaurante na histórica e típica vila de Folgosinho, o melhor será agendar uma visita a Gouveia e passar por lá, devendo optar pela marcação prévia ( 238745266 ), podendo ficar a conhecer a loja regional repleta de artesanato local e o alojamento rural que o Albertino Moreira tem em funcionamento, para quem estiver interessado em prolongar a estada.

E vale bem a pena vir aqui, sentir o aroma de uma serra que invade os céus, o gosto dos seus queijos e o corpo aveludado e aromático dos seus vinhos do Dão.

São os sabores de uma serra a centilar de delícias e aventuras, onde tudo continua a nascer puro e natural.

             Da pureza bucólica dos rebanhos e dos campos de centeio do Folgosinho, à rudeza pré-histórica do morro, que sempre defendeu esta vila onde a história desenhou ruas estreitas de casario medieval, trajes, costumes e uma culinária repleta de sabores antigos.

No centro da vila fica a Igreja Matriz de S. Pedro, o Adro de Viriato e a Praça do Pelourinho, com as Casas da Câmara em redor. A esta praça, de onde seguimos para o Miradouro de Santiago, afluem as ruas antigas da vila e na rua do Quebra-Costas, considerada a mais antiga judiaria da vila pode-se observar algumas janelas com cantarias manuelinas.

                        Noutro local da vila, numa casa junto á Fonte do Gorgulho, pode ver-se uma lápide epigrafada da baixa Idade Média, assinalando que nesse local, segundo reza a tradição e contam os mais velhos, teria nascido Viriato, o pastor que no Século 1 A.C. chefiou a resistência às legiões romanas comandadas por Licínio Luculo e de Galba.

                        Barriga atestada e visita feita, demandamos outras paragens e pela EN 17 partimos para Celorico da Beira, onde nesse dia se realizava a feira anual do Queijo da Serra da Estrela, mas pelo caminho resolvemos que primeiro tínhamos que passar na histórica aldeia de Linhares da Beira.

                        Considerada a “ capital do parapente “, um desporto radical que a INATEL e outros operadores aqui promovem, esta é uma das mais características aldeias portuguesas, onde se vive e respira a memória de uma era medieval de esplendor, ainda hoje em estado puro, com inúmeros vestígios arquitectónicos da sua grandeza passada.

                        Fundada em 580 A C. pelos Túrdulos, esta aldeia medieval teve um primitivo castelo construído pelos Leoneses, no século VIII e depois ocupado e destruído pelos Muçulmanos. Na Idade Média, o poderoso castelo, com duas torres ameadas nos ângulos da cerca, serviu para auxiliar à formação e defesa de Portugal contra os mouros e castelhanos.

                        Percorrer esta aldeia beirã faz lembrar um museu vivo, onde cada pedra fala da história de Portugal, e onde se pode ficar a conhecer na sua Igreja Matriz três quadros renascentistas atribuídos ao mestre Grão Vasco.

                        Já no sopé da Serra da Estrela, chegámos a Celorico da Beira, autêntica vila serrana, de fundação antiquíssima, terra de Sacadura Cabral, o famoso aviador que fez parceria com Gago Coutinho na primeira travessia do Atlântico Sul, em 1922.

                        Terra de castelos, povoados e lendas, Celorico da Beira domina os contrafortes da Serra da Estrela, e apresenta-se como um concelho rural em que a silvo-pastorícia e a produção de queijo são as principais actividades económicas, sendo por muitos considerada a “ capital do queijo da serra “, aqui ainda produzido por métodos ancestrais, cujas provas o meu pai adorou percorrer.

                        O seu imponente castelo, fundado no século X, estrategicamente colocado num morro granítico de flancos cortados a prumo, é o ex-libris da terra e permite admirar uma paisagem de rara beleza, fazendo-nos recordar que por esta região andaram os exércitos de Napoleão quando tentaram apoderar-se de Portugal.

                   Retomamos caminho e acordamos que ainda teríamos que dar ao dente antes de chegar a casa, pelo que planeamos visitar a Sr.ª da Lapa, conhecido santuário do concelho de Sernancelhe, localizado numa aldeia histórica da Serra da Lapa.

                        Na viagem ainda optamos por uma pequena paragem na vila de Trancoso, uma terra que remonta à Idade do Bronze, sendo o mais antigo povoado atribuído aos Túrdulos, desenvolvendo-se depois uma larga época castreja.

 

                        O ar medieval da vila desperta a nossa atenção, com vielas ladeadas por portões biselados e paredes com mísulas, e casas dominadas judiarias a testemunhar que os judeus povoaram a vila e transmitiram aos seus descendentes o carácter comercial que lhes era peculiar.

Ao visitar de relance, o castelo medieval e as muralhas, fiquei a saber que foi aqui que se firmou a célebre aliança luso-britânica e foi a terra de Trancoso que o Rei D. Dinis escolheu para celebrar o seu casamento com a Rainha Santa Isabel e que o evento real deu-se em 1282 na Ermida de S. Bartolomeu.

                        Chegamos à Sr.ª da Lapa através de uma estrada de montanha a partir do da EN 226, ficando para outra oportunidade uma visita mais demorada a Sernancelhe, um dos municípios mais antigos da Beira Interior, localizado entre os rios Vouga e Tábora que fecundam estas terras, outrora designadas por Aquilino Ribeiro como “ Terras do Demo “.

                        Antes do lanche, visitamos o Santuário da Lapa e a sua zona envolvente, uma aldeia histórica formada pela acção dos jesuítas, sob a égide da Universidade de Coimbra, que esteve a estruturar o culto da Senhora da Lapa, a partir dos finais  do Século XV.

                        Relata a lenda, que em 1498, uma pastorinha de 12 anos, de nome Joana, muda de nascença, introduziu-se por entre as fendas das rochas encimadas pela grande lapa, e aí encontrou uma linda imagem da Virgem, que ali teria sido escondida há mais de quinhentos anos por religiosas fugindo a uma perseguição.

                        A devoção e todo o carinho que a jovem pastora dedicou à imagem, valeu-lhe especial protecção da Virgem, que por milagre lhe concedeu o dom da fala.

                        Depressa de divulgou o milagre, originando uma crescente afluência de peregrinos, jamais interrompida até aos dias de hoje, sendo as principais peregrinações realizadas a 10 de Junho, 15 de Agosto e 8 de Setembro.

                        Em 1756, a Lapa foi confiada aos padres da Companhia de Jesus, sediados no Colégio de Coimbra e estes construíram o actual santuário abrigando a enorme penedia no seu interior, sendo este o principal atractivo da Capela da Sr.ª da Lapa, onde os peregrinos fazem questão de passar por detrás da enorme pedra, depois de terem parado junto ao altar da Virgem da Lapa ou da Sr.ª da Boa Morte.

                        Em 1685, os mesmos jesuítas iniciaram a construção do Colégio da Lapa, imponente edifício contíguo ao Santuário, tendo a devoção à santa chegado a todo o mundo em virtude da acção missionária destes padres.

                        Recorda-se que a Senhora da Lapa, centro de peregrinação com mais de 500 anos, e Santiago de Compostela, em Espanha, chegaram a ser, em tempos recuados, os dois santuários mais importantes da Península Ibérica.

                        Os antigos Paços do Concelho, extinto aquando da reforma liberal, a cadeia, situada junto ao pelourinho, restaurada e recuperada para o Museu do Santuário, a Fonte dos Clérigos e o Miradouro da Sr.ª da Piedade, são os pontos de maior interesse que não deve deixar de apreciar na passagem pela zona do Santuário da Lapa.

                        Depois do lanche, já realizado com o sol a esconder-se na outra vertente da serra, a viagem de regresso, por Moimenta da Beira, Vila Nova de Paiva e Castro Daire, pela EN 225 junto ao leito do rio, serviu para fazer o balanço do passeio e traçar o plano para a próxima excursão familiar. A ver vamos...
Comentarios (2)add comment

carolina said:

 
vivo na serra da estrela smilies/grin.gif tem coisas fabolozas como a torre a lagoa comprida,etc e outras coisas por descobrir
smilies/wink.gif adoro aki viver mas no inverno as temperaturas descem e fica bastante frio smilies/shocked.gif por isso temos ke nos akeser fikamos kongelados... smilies/cry.gif e é mau iver ka por um lado mas por outro é de mais, e eu digo porke...
e bom porke temos coisas lindas... smilies/cheesy.gif
e é mau porke a muito frio durante o inverno...
mas isso n entresa o ke entressa e viver aki na serra da estrela onde n ha beleza igual smilies/grin.gif smilies/cheesy.gif smilies/smiley.gif smilies/wink.gif venham...
xau beijo para todos vosses... smilies/cool.gif
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Fevereiro 04, 2008
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anunimo said:

 
serra da estrela do melhor ke ha smilies/cheesy.gif smilies/grin.gif venham todos para ka smilies/wink.gif
nada mais ilegante keuma natureza verdejante smilies/smiley.gif
beijos... smilies/cool.gif
xau xau... smilies/smiley.gif
smilies/wink.gif smilies/smiley.gif smilies/cheesy.gif smilies/grin.gif
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Fevereiro 04, 2008
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