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Castelo de Paiva

Terça
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O regresso ao norte alentejano e um encontro com franceses em Sousel Imprimir
Escrito por Carlos Oliveira   
Quarta, 07 Fevereiro 2007
Carlos OliveiraRecentemente, aproveitando uns dias de sossego, fiz as “ malas “ e voltei ao Alto Alentejo, numa escapada de fim de semana para rever velhos amigos no município de Sousel, terra de planícies e de branco casario, referência cinegética em Portugal e, onde outrora, “ O Condestável “ recrutou soldados e deu tamanha malha nos castelhanos que eles nunca mais esqueceram a humilhação sofrida em Atoleiros.
Sinto-me bem no norte alentejano, parece-me que tenho um país só para mim e agrada-me a ideia de em pouco tempo ver muito, já que a proximidade das terras e as boas acessibilidades da região permite visitar vários concelhos em poucos dias e apreciar os vinhos e a gastronomia, o património histórico e a particularidade da sua gente que, depois de vencida a timidez inicial, se mostra honrada e hospitaleira.
Capela dos Ossos
A pretexto de um convite do meu amigo João Balesteros, acompanhei de perto o XII Encontro Santo Amaro – La Chapelle / Heulin, uma jornada de confraternização e de amizade que ganhou raízes e que  se prolonga desde 1999, ocasião em que foi assinado um Protocolo de Geminação entre o então presidente da CM de Sousel, Emílio Sabido e o Maire Jean Claude.

Mais do que um encontro luso-francês, cuja rotatividade tem possibilitado uma abrangência de conhecimentos e de amizades, esta iniciativa protagoniza um sucesso que merece ser relevado, quanto mais não seja porque incentiva a troca de experiências e promove a divulgação dos costumes, das potencialidades e dos produtos mais característicos e representativos das duas regiões envolvidas.

Gisela Valério, a simpática presidente da Associação de Amizade Santo Amaro / La Chapelle, confirmou o interesse e o alcance deste intercâmbio, iniciado em 1989 com a envolvência das escolas locais e manifestou o seu agrado pela iniciativa continuar a manter-se com grande dinamismo, despertando os valores da amizade e da verdadeira solidariedade entre os povos.

Tal como Santo Amaro, uma das quatro freguesias de Sousel, também esta região francesa, localizada junto ao Rio Loire, na região de Nantes, produz vinhos de excelente qualidade, que devem ser bebidos bem frescos e acompanhados pelos doces típicos que o grupo francês fez questão de trazer e de oferecer durante os quatro dias de convivência em terras alentejanas.

Depois da recepção realizada na CM de Sousel,  a comitiva francesa e os responsáveis da associação anfitriã promoveram um périplo pelo concelho, terra hospitaleira e de horizontes largos,  mas destacaram-se as visitas a Monforte, ao Mercado de Estremoz,  à cidade de Évora (apesar do repentino tempo chuvoso ) e a Reguengos de Monsaraz.

Para a memória fica a alegria e a convivialidade da bonita confraternização do jantar francês ( mesmo tendo que “ afanar “ o sal fino da cozinha para temperar uma imitação de jardineira ) e do menu português, onde a ementa local e o excelente vinho tinto da Herdade do Perdigão serviram de boa companhia à vertente musical que animou as hostes num tórrido serão alentejano, onde não faltaram exibições humorísticas para dar mais encanto à noite.

No Verão seguinte, foi a vez da malta de Santo Amaro, terra simpática de casario branco com grandes chaminés, zona de oleiros e de excelente azeite, rumar até terras de França e retribuir a visita, levando as iguarias locais e uma abordagem da cultura e da vivência portuguesa neste pedaço da extensa planície.

Emílio Sabido, amigo do tempo das lutas pelo reconhecimento e prestígio dos Boletins Municipais e da Informação Autárquica, que já foi dedicado presidente do município de Sousel, e que perdeu nas últimas autárquicas a possibilidade de regressar à presidência desta autarquia do distrito de Portalegre, manifestou-nos a sua satisfação de receber estes amigos franceses em Portugal, recordando com saudade algumas experiências vividas nas retribuições feitas ao município francês, onde todos são sempre muito acarinhados.

Relatos que confirmamos durante a nossa estadia na vila do Cano, rincão tipicamente alentejano, onde se come e bebe melhor, e onde partilhamos uma acolhedora casa com um simpático casal francês já habituado a estas andanças de intercâmbios culturais e sociais e que nos descreveu alguns atractivos turísticos da região do Vale do Loire.

Já por diversas vezes rumei a Sousel e tive oportunidade de conhecer os recantos das freguesias de Santo Amaro, Cano e Casa Branca, terra mais afastada e que tem uma igreja paroquial com invocação a Nª Sr.ª da Graça, que foi um priorado da Ordem de Avis, mas não deixei de visitar os concelhos limítrofes, e apreciar, em particular, a grandeza do sector vitícola desta região, que produz vinhos de alto gabarito, a juntar a uns queijinhos do Cano que são uma iguaria de se lhe tirar o chapéu.

Já conhecia o Centro Histórico de Évora, mas o amigo Sabido levou-me a visitar a Capela dos Ossos, onde tive que pagar para entrar com a máquina fotográfica, coisa que me cheirou a oportunismo, se bem que lá por fora também haja quem utilize tal prática.

De resto gostei de voltar a Sousel e à vila do Cano, povoação muito antiga, já referenciada nos tempos de D. João I,  localizada na margem esquerda da Ribeira do Alcórrego, já nas proximidades de Avis e Estremoz, onde outrora D. Nuno Álvares Pereira recrutou homens válidos para a Batalha dos Atoleiros, realizada ali bem perto, onde em 1834 deu uma boa malha nos castelhanos.

A vila do Cano, que já teve um dos grupos folclóricos mais prestigiados do país, foi cerca de três séculos sede de concelho, com foral concedido por D. Manuel, em Santarém, assim como o município de Sousel sofreu, ao longo do século XIX, diversas reveses de ordem administrativa, pois várias vezes lhe foi tirada a sede de concelho e outras tantas restaurada.

A dinâmica que o município de Sousel teve no mandato de Emílio Sabido parece que se esfumou e, hoje, sente-se que o tecido empresarial perdeu algum peso, sendo evidente que o sector agrícola continua a manter um certa primazia, com destaque para a vinha e para a cultura do azeite, mas esta terra tem potencialidades que não podem ser ignoradas como o turismo da caça, que todos os anos arrasta aos montados da região milhares de entusiastas desta modalidade.
Igreja Matriz do Cano
Fundada pelo Infante Condestável Dom Nuno Álvares Pereira, cuja imagem se encontra e venera na Igreja Matriz da vizinha vila de Fronteira, a vila de Sousel está cercada de terras onde abundam espécies de grande interesse cinegético e por aqui continua a realizar-se a FESCAÇA, tão só a maior ferira nacional dedicada ao sector.

A poucos km's da vila, no cimo da Colina de São Miguel, está instalada a Pousada de Sousel, a primeira unidade hoteleira de Turismo Cinegético do país.

Esta estrutura hoteleira de grande qualidade, tem também um canil, mas não só os amantes da caça encontram aqui grandes atractivos, uma vez que junto à Pousada se encontra a Praça de Touros mais antiga do país e, muito perto também, a pouco mais de 20 km, a Barragem do Maranhão onde se pode pescar e praticar diversos desportos náuticos.

A Albergaria Galinhola, na zona urbana da vila, com o seu tipiscismo rústico e ambiente familiar, também frequentada pelos amantes da caça, é uma boa opção para uns dias de descanso ou de visita a estas paragens alentejanas, de onde partimos para um périplo pela Rota dos Vinhos e dos Sabores.

Esta perfeita harmonia com a paisagem circundante fazem da Pousada de Sousel, que tive o gosto de conhecer, o lugar ideal para todos os que partilham da opinião de que, é na beleza da paisagem, na simpatia das gentes, na gastronomia tradicional e na qualidade de um vinho único,  que se encontra a verdadeira essência de uma região.

Andar por estas terras dá saúde, não apenas pelo excelente vinho e pela saborosa gastronomia que temos à disposição, mas pela paz e tranquilidade que se sente, livres do ambiente “ infernal “ que marca a vivência citadina, da poluição que teima em ganhar raízes nas terras do Norte, da imundice espalhada pelas bermas das nossas estradas, da falta de civismo de gente que se entretém a destruir e  a roubar placas de sinalização, para não falar da insegurança que se vem evidenciado cada vez mais por estes lados.

O Alentejo continua a ser das poucas regiões poupadas pela massificação turística, evitando-se assim um conjunto de erros que poderiam hoje custar caro. As terras de Sousel apresentam um conjunto de potencialidades viradas para um turismo selectivo, baseado especialmente no ambiente e na caça.

A construção do Museu dos Cristos, fruto de um espólio com mais de 1500 peças de um antigo coleccionador, adquirido pela autarquia em Fevereiro de 1990 à família Lobo, vai constituir mais um pólo para a afirmação de um turismo cultural para uma terra que precisa  urgentemente de ganhar uma nova dinâmica e projecção.

Gostei de voltar ao norte alentejano, de tornar a conviver com esta gente amiga de Sousel, cujo intercâmbio com os franceses de La Chapelle – Huelin merece ser realçado, quanto mais não seja, porque se trata de uma iniciativa louvável, que serve para divulgar a cultura alentejana e a imagem de Portugal no espaço da alargada Europa Comunitária.

Fotos Disponíveis na Galeria Multimedia

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