Opinião
Carlos Oliveira
Em memória do Sr. Afonso da Gráfica | Em memória do Sr. Afonso da Gráfica |
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| Escrito por Carlos Oliveira | |
| Segunda, 20 Março 2006 | |
Quando a morte leva um amigo….
Há momentos em que não me apetece escrever, não há motivação, nada me inspira, o assunto é triste demais para ser verdade…
A morte surge quando menos se espera e muitas vezes nem tempo dá para nos despedir. Perdi um grande amigo, daqueles verdadeiros, que tirava a camisa para ajudar o próximo, sem hipocrisia e esperar nada em troca. ![]() Não foi meu mestre, mas cedo percebi o seu lado honrado e íntegro, a sua faceta multifacetada de homem solidário, sempre pronto a embarcar numa iniciativa ou a partilhar uma ideia, defendendo que a verdadeira felicidade existe quando servimos os outros ou nos dedicamos a uma causa nobre. Foi meu companheiro de farras, de viagens e aventuras, com ele partilhei o que a vida tem de bom, assente na amizade e convivialidade humana. E se a amizade se conquista com atitudes e acções, então ele foi uma referência que jamais esquecerei, porque entendia que um amigo é aquele que sente os problemas do outro e que a única forma de superar o mal e o ódio é responder com elevação e que a humildade sempre aceita os próprios erros, não tem inimigos e procura a reconciliação. O Sr. Afonso da Gráfica foi um exemplo como homem, como empresário e como jornalista que muito se dedicou à causa da Imprensa Regional e aos problemas da comunidade paivense, que o acolheu na década de sessenta, vindo de Lousada para estas paragens, onde se instalou no negócio das “ artes gráficas “. Tornou-se numa figura admirada e respeitada, evidenciou sempre a humildade que o caracterizava, mostrou-se prestativo, lutador nato, um trabalhador que nunca esteve na profissão por oportunismos e vaidades, que recusou protagonismos. O Sr. Afonso da Gráfica sempre cultivou uma linguagem simples e solidária, assente numa postura de dignidade e isenção, como aliás é timbre daqueles que subiram a vida a pulso, sem egoísmos e arrogância, e se formaram no ardor da própria tarimba. Cultivou um sentimento altruísta e de respeito por todos, procurou sempre ajudar quem lhe batia à porta, estar entre os simples, sem mordomias, vivendo de perto as emoções de uma vida dura, palmilhada com trabalho e muito sacrifício. Foi um homem a quem Castelo de Paiva muito deve, não só por tudo o que fez em prol do associativismo local e do jornalismo regional, mas por ter evidenciado uma postura digna, de rigor e seriedade, que devia servir de exemplo para muita gente, talvez aquela gente que dele se serviu e aproveitou, e que na hora da doença o ignoraram e lhe viraram as costas. De coração embargado não é possível dizer muito, apenas recordar com saudade um amigo que partiu para o além e cuja morte nos volta a orientar para uma reflexão profunda daquilo que é a nossa passagem terrena e a nossa postura na sociedade. Obrigado Sr. Afonso pela sua amizade e que Deus o acolha na sua infinita bondade… até um dia !!! * jornalista Set as favorite Bookmark Email This Hits: 728 Comentarios (0)
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